FÁBIO PAIVA,
APOIO INCONDICIONAL de minha
parte e da parte de centena de internautas e ativistas. Não
posso fazer muito, mas saiba que vc não está sozinho.
Acho que faltou mencionar que os
anti-especistas são contra o preconceito, assim como os
ativistas pelos negros, a diferença é o critério
discriminatório abordado (espécie, cor da pele, etnia,
orientação sexual, etc).
Silas Cordeiro Pascoal
Fábio,
Você tem todo o meu apoio. Você
é, e sempre foi uma pessoa, que prima pela gentileza e educação.E,
quem é anti-especista, também é contra o racismo, o sexismo,
etc.
Os dirigentes dessa ONG que
estão lhe acusando, muito provavelmente, estão equivocados
quanto ao significado dos termos - especismo, holocausto, etc, o
que foi brilhantemente explicado pela amiga Drª Denise Grecco
Valente.
Espero que a situação seja
resolvida brevemente e, deixo aqui minha tristeza com o
fato.
Fábio, muita força para você!
Martha Follain.
hello dear Fabio !
i might not be black, but i'm
definitly a jew,
i also don't see any differece; a
slaughter is a slaughter; human or not,
Once it had been ignored and 6 000
000 of our people had been brutally killed !
This time ,with the animal slaughter,
we have to act, so that our grand children won't have to ask us
where have we been during the animal holocaust, we won't be able
to say twice;
we did not know ! you know this
sentence, right...
anyway, you can tell people who are
accusing you, to contact me ; i'll speek up as a jew !
love,and best apreciations,
Jane Halevi
International Anti-Fur Coalition
World coordination
Dear
Mr. Paiva:
I
am general counsel to PETA and we have just learned of the charges
filed against you in Sao Paulo by ABC sem Racismo relating to the www.holocaustoanimal.org
web site. I am hoping to speak with you as soon as possible to
discuss how we might assist you in defending these charges and
protecting your right to speak out for the animals. If you are
represented by a lawyer, I would be pleased to speak with him or her.
Can you please email me with the dates and times you or your lawyer
are available for a telephone discussion? I will be pleased to phone
you or your attorney. My apologies for having to write in English as
I do not speak Portuguese. Thank you and I look forward to speaking
with you.
Kind
regards,
Jeff
Kerr.
Jeffrey
S. Kerr
General
Counsel and
Vice
President of Corporate Affairs
The
PETA Foundation
JeffK@FSAP.org
Rafael Bán Jacobsen
Mensagem: Sobre a polêmica do
Holocausto Animal É, no mínimo, emblemático o caso da representação
impetrada recentemente pela ONG ABC sem Racismo, baseada em denúncia
da Afropress, sobre imagens veiculadas pelo site Holocausto Animal,
imagens em que escravos africanos amordaçados aparecem justapostos
a cães com focinheira e nas quais, também, judeus aprisionados em
campos de concentração aparecem lado a lado com diferentes animais
em cenas de confinamento e abate. É emblemático, pois ilustra
muito bem dois fatos bastante comuns: o analfabetismo funcional e o
egoísmo da dor. Comecemos pelo segundo. Há uma lei natural do ser
humano: a minha dor é sempre a maior dor do mundo. E isso vale
tanto individualmente (a minha dor de dente com certeza é mais
forte do que a do vizinho) quanto coletivamente. Sendo judeu, cresci
acostumado ao eterno sentimento de pesar e dor da comunidade com
relação aos antepassados exterminados pelos nazistas no
Holocausto. Todos os anos, lembramos e lamentamos o fato, oramos,
acendemos velas. A dor de nosso povo é incomensurável. Calculo
que, na comunidade negra, o sentimento relativo ao período da
escravidão seja análogo. Dessa forma, qualquer um que venha tentar
equiparar sua dor à nossa já, de antemão, não costuma ser visto
com muita simpatia. Ora, que petulância: imaginar que sofre tanto
quanto eu! Pior ainda se esse outro for o que milhares de anos de
cultura antropocêntrica vieram a estigmatizar como seres
“irracionais” e, portanto, inferiores. Comparar a dor humana com
a de animais não-humanos, que petulância! Convém lembrar que
tanto o massacre dos judeus quanto a escravidão dos africanos
tiveram por base a aceitação desse estigma de inferioridade. Não
admitir a existência dessa dimensão que se pode denominar
“racionalidade”, “alma” ou “psiquismo” nos judeus, nos
negros ou nos animais é uma forma de exercício de poder. Se é
assim, posso usá-los como bem entender, sem enfrentar dilemas
morais. É dessa forma, admitindo a inferioridade, que, por exemplo,
instituições como o clero (até suas mais altas esferas, no
Vaticano) conviveram tranqüilamente com a opressão dos negros e
dos judeus. Por esse mesmo mecanismo, agora, todos nós, indivíduos
da espécie humana, convivemos com o uso dos animais para satisfação
de nossos interesses (não só convivemos com o uso como o temos
como perfeitamente natural, sendo quase impensável um mundo sem
isso). A postura humana de colocar suas mais desimportantes preferências
(satisfação do paladar, busca por testar um cosmético, vestir uma
certa roupa) à frente dos interesses mais fundamentais dos outros
animais (não sentir dor, crescer em seu ambiente natural, não ser
morto) é o que se convencionou chamar, na filosofia dos direitos
animais, de especismo, em analogia com palavras tais como racismo ou
sexismo. As imagens veiculadas pelo site Holocausto Animal não são
nada mais do que uma ilustração desse conceito: dor é dor,
exploração é exploração, humilhação é humilhação, não
importando a cor da pele, a etnia, o tamanho do nariz e, por incrível
que pareça, nem mesmo a espécie. Chegamos aí na questão do
analfabetismo funcional. Certamente, um desavisado que vá olhar as
imagens terá, como primeira reação, o ato reflexo de se sentir
ofendido, isso devido ao egoísmo da própria dor e ao
desconhecimento do conceito de especismo, temperados pela
mentalidade antropocêntrica atávica. É aquilo: o sujeito lê
(aqui tem um porco, ali tem um judeu; aqui tem um escravo negro, ali
tem um cachorro), mas, por falta de informação, não entende o
sentido da mensagem, que é bem mais sutil, avesso a interpretações
reducionistas do tipo “estão fazendo pouco da minha dor” ou
“estão me chamando de porco”. Aliás, as polêmicas imagens,
que, como disse, tentam apenas explicitar o conceito de especismo,
estão baseadas em trabalhos de diversos filósofos que se debruçam
sobre a questão dos direitos animais. Um dos mais eminentes é o
australiano Peter Singer, autor do clássico Libertação Animal, de
1975. Na obra, em diversos trechos, Singer invoca barbáries
praticadas por humanos sobre outros grupos de humanos (judeus e
africanos, inclusive), estabelecendo um paralelo ilustrativo com o
tipo de barbárie que todos nós cometemos contra tantos animais
sensíveis e conscientes. Singer, por acaso, é judeu, e seus avós
pereceram em campos de concentração. Mas a polêmica comparação
não é monopólio de Peter Singer ou do site Holocausto Animal. Se
o sujeito abrir uma novela muito interessante chamada O Penitente,
de autoria de Isaac Bashevis Singer, judeu e Prêmio Nobel de
Literatura, vai se deparar com o seguinte trecho, em que o narrador,
um judeu relapso que decide se voltar à espiritualidade e abandonar
as coisas mundanas, tornado-se justo e virtuoso, se questiona sobre
a exploração dos animais: “Há muito eu chegara à conclusão
que o tratamento do homem para as criaturas de Deus torna ridículos
todos os seus ideais e todo o pretenso humanismo. Para que este
estufado indivíduo degustasse seu presunto, uma criatura viva teve
de ser criada, arrastada para sua morte, esfaqueada, torturada e
escaldada em água quente. O homem não dava um segundo de
pensamento ao fato de que o porco era feito do mesmo material e que
este tinha de pagar com sofrimento e morte para que ele pudesse
saborear sua carne. Pensei mais de uma vez que, quando se trata de
animais, todo homem é um nazista.” Mais ainda, se alguém
resolver ler mais um pouco de boa literatura, pode esbarrar com o
livro A Vida dos Animais, do Prêmio Nobel, J.M. Coetzee, no qual se
lê o seguinte trecho: “Aparentemente, eu me movimento
perfeitamente bem no meio das pessoas, tenho relações
perfeitamente normais com elas. É possível, me pergunto, que todas
estejam participando de um crime de proporções inimagináveis?
Estou fantasiando isso tudo? Devo estar louca! No entanto, todo dia
vejo provas disso. As próprias pessoas de quem desconfio produzem
provas, exibem as provas para mim, me oferecem. Cadáveres.
Fragmentos de corpos que compraram com dinheiro. É como se eu fosse
visitar amigos, fizesse algum comentário gentil sobre um abajur da
sala, e eles respondessem: ‘Bonito, não é? Feito de pele
judaico-polonesa, é o que há de melhor, pele de jovens virgens
judaico-polonesas.’ E aí eu vou ao banheiro, e a embalagem do
sabonete diz assim: ‘Treblinka – 100% estearato humano’. Será
que estou sonhando, pergunto a mim mesma? Que casa é esta? E não
estou sonhando, não. (...) Calma, digo para mim mesma, você está
fazendo tempestade em um copo d´água. Assim é a vida. Todo mundo
se acostuma com isso, por que você não? Por que você não?”
Posso ainda dar um exemplo pessoal. Sou escritor e, recentemente,
participei de uma coletânea de contos chamada Ficção de Polpa
(Editora Fósforo, 2007), e meu conto, de ficção cinentífica, tem
por título "Quando eles chegaram". A história é
uma tentativa de resposta a uma velha questão da retórica
vegetariana: o que nós humanos pensaríamos e sentiríamos se uma
espécie alienígena que se julgue superior invadisse nosso planeta
e fizesse conosco tudo o que hoje fazemos com os animais? Qual não
foi minha surpresa ao perceber que 80% dos leitores haviam
enxergado, no meu trabalho, uma metáfora do holocausto judaico,
embora eu não tivesse pensado nisso um segundo sequer ao escrever o
texto. Ou seja: o paralelo entre a escravidão, a exploração e a
matança de judeus e negros com a escravidão, a exploração e a
matança de animais existe, queira eu, Rafael Bán Jacobsen, ou não,
queira a ONG ABC ou não, queira a Afropress ou não, queira o Papa
ou não. E ela está por aí, é de domínio público: não pertence
ao Holocausto Animal, nem a Peter Singer, nem a Coetzee, nem a
Bashevis Singer, nem a mim (a rigor, a polêmica campanha do
Holocausto Animal nada mais é do que uma simples tradução de uma
conhecidíssima campanha do Peta – People for Ethical Treatment of
Animals). Na dúvida, pelo bem da justiça, todos devem ser
processados, não apenas um certo site tupiniquim, fazendo as vezes
de bode expiatório. Sejamos coerentes. Processemos o Peta.
Processemos Peter Singer. Processemos Coetzee. Processemos Bashevis
Singer. Não, esse não, esse já morreu. Processemos então a
Academia Sueca, por ter prestigiado esses dois últimos pusilânimes
preconceituosos com o Prêmio Nobel. Processemos Rafael Bán
Jacobsen, por acreditar que o paralelo existe e por, apesar de ser
judeu, não se sentir violentado pela comparação (sente-se
violentado, sim, por um grupo de pessoas de quem nunca ouviu falar
se dar o direito de se posicionar por ele e dizer “nós judeus
estamos ofendidos”). Processemos o inconsciente coletivo. Antes
disso, porém, recomendo que todos leiam Peter Singer, leiam Coetzee,
leiam Bashevis Singer. A leitura é redentora. A leitura engrandece
e diminui a ocorrência de interpretações errôneas e sem sentido
maior do que aquele ditado pelo nosso egoísmo, nossa ignorância e
nossa prepotência. É a esse ponto que nossa racionalidade nos
conduziu: duas guerras mundiais, devastação ambiental, crescimento
populacional desenfreado, aquecimento global e até mesmo peleja de
ONGs que, no fundo, lutam pelos mesmos ideais – justiça,
igualdade e não-violência. Pobres animais, que não podem reclamar
de serem comparados conosco. Pobres de todos nós, que festejamos
nossa racionalidade enquanto o mundo desaba sobre nossas cabeças.
Que a paz esteja conosco – se ainda houver lugar para ela!
Shalom
aleichem,
Rafael Bán Jacobsen
(Escritor, físico nuclear, professor,
pianista, judeu e, por acaso, vegano)
Porto Alegre, 28 de outubro de 2007
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